Cheias afecta 724 Mil pessoas e interrompe educação

As cheias de 2026 afectaram mais de 724 mil pessoas em Moçambique, interrompendo aulas, destruindo infraestruturas e agravando a vulnerabilidade de crianças e adolescentes. A província de Gaza foi a mais atingida, com 111 escolas danificadas, o que forçou o Governo a adiar o início do ano lectivo.

Uma das escolas que está a servir como centro de acomodação para famílias afectadas pelas cheias.
Uma das escolas que está a servir como centro de acomodação para famílias afectadas pelas cheias.

As intensas chuvas que assolaram Moçambique no início de 2026 deixaram um rasto de destruição que continua a afectar milhares de famílias. Estradas, pontes, casas e escolas foram gravemente danificadas. Segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), 724.000 pessoas foram afectadas em várias províncias do país com enfoque para a província de Gaza.

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) destaca que, no pico da crise, mais de 100.000 pessoas encontravam-se em centros de acomodação, o que demonstra a dimensão da emergência humanitária.

O INGD indica ainda que 77 km de estradas e três pontes ficaram intransitáveis. Os danos atrasaram a entrega de ajuda humanitária e complicaram o retorno das famílias para as comunidades de origem, tornando a recuperação ainda mais lenta.

Ademais, mais de 72.000 casas ficaram inundadas e acima de 6.000 foram total ou parcialmente destruídas.

O sector da educação foi um dos mais abalaldos, muitas escolas ficaram danificadas e destruídas e para além disso, as outras tornara-se centros de acomodação das famílias que ficaram sem abrigo.:

Uma das escolas afectadas pelas cheias em Gaza
Uma das escolas afectadas pelas cheias em Gaza

Só na província de Gaza:

  • 111 escolas foram atingidas
  • 174 salas de aula ficaram destruídas
  • 8 blocos administrativos sofreram danos
  • 1.878 professores foram impactados
  • 76.843 estudantes viram o seu percurso escolar interrompido

A resposta da Plan International: proteção, educação e reconstrução

Face a esta crise humanitária, a Plan International está a prestar apoio às comunidades afectadas pelas cheias, com enfoque nas áreas de proteção infantil, educação, higiene e meios de subsistência.

A resposta está concentrada nos três distritos mais impactados da província de Gaza, Chókwè, Guijá e Chibuto onde vivem 300.377 dos 433.794 afectados registados na província. No total, o plano de resposta da Plan International pretende alcançar 70.000 pessoas, o equivalente a 16% da população atingida em Gaza.

Neste âmbito a Plan International até ao momento já prestou apoio directo a 4.800 pessoas, incluindo mulheres, raparigas, crianças e famílias deslocadas, com:

  • 600 kits de dignidade para mulheres e raparigas;
  • 400 kits de higiene para as famílias;
  • 1.160 kits escolares a crianças da 1.ª à 6.ª classes nas Escolas Primárias de Chivongoene, Songuene, Sifo e Xilembene;
  • Instalação de três Espaços Amigos da Criança móveis, que acolheram regularmente 634 crianças com actividades educativas, recreativas e de apoio psicossocial;
  • Palestras e espaços seguros para prevenção da Exploração e Abuso Sexual (PSEA) e prestação de serviços de prevenção à Violência Baseada no Género (VBG) à 406 mulheres.  

Com o retorno gradual das famílias às suas comunidades, a Plan International com financiamento da Dutch Relief Alliance (DRA) e apoio das Organizações Nacionais (NOs) está a preparar a próxima fase de apoio, que inclui a disponibilização de senhas alimentares para mais de 4.700 pessoas e a distribuição de insumos agrícolas para 6.000 pessoas, contribuindo para a recuperação dos meios de subsistência e reforço da segurança alimentar.

““A Plan International vai disponibilizar senhas alimentares para mais de 4.700 pessoas e insumos agrícolas para 6.000 pessoas”

José Mangue, Gestor de Risco de Desastres
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Categorias: Educação, Protecção contra a violência, Saúde sexual e reprodutiva e direitos conexos, Situações de emergência Etiquetas: Educação em situações de emergência, Protecção das crianças em situações de emergência, Serviços de saúde sexual e reprodutiva

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